Por que algumas pessoas são mais inteligentes do que outras?

Medir inteligência é algo extremamente complicado, acredita-se que vários fatores influenciam em tal capacidade: genética, experiências de aprendizado, cultura ambiente, grupo étnico e até mesmo altura. Por isso os estudos sobre inteligência abrem espaço para várias discussões intensas, pois tais fatores de influência podem variar de acordo com a pesquisa. Várias discussões éticas são abertas quando se consideram fatores como herança genética, grupo étnico, classes socioeconômicas e grupos raciais. Muitas pessoas não gostam da ideia de que alguns já nascem com habilidades cognitivas mais avançadas que os demais, por acharem injusto.

Zhao Bowe é um dos muitos pesquisadores que buscam a resposta para habilidades de inteligência individual diferenciadas. Ele é um chinês prodígio liderando um projeto com orçamento de milhares de dólares no instituto de tecnologia BGI Shenzhen, que possui o mais poderoso cluster de máquinas de sequenciamento genético. Com a ajuda de colaboradores e um grupo de pesquisadores transnacional, o projeto visa identificar uma base genética para o QI. Eles esperam que dentro de uma década suas pesquisas sejam utilizadas para testar embriões durante fertilização in vitro, aumentando o QI de bebês antes mesmo de seu nascimento em até 20 pontos.

Em um nível individual, evidências apontam que há um forte componente genético no QI. Baseado em estudos com gêmeos, irmãos e filhos adotivos, estimativas atuais estimam que o fator de herança genética afeta de 50 a 80% do QI.

Outra linha de pesquisa examina como certos aspectos da estrutura do nosso cérebro e suas funções ajudam a determinar quão facilmente aprendemos as coisas, e como a capacidade de aprendizado contribui para diferenças individuais na inteligência.

Plasticidade cognitiva é a capacidade de aprender e melhorar habilidades como solução de problemas e recordação de eventos. Eduardo Mercado III, um pesquisador da Universidade de Buffalo em Nova York, argumenta que a base estrutural da plasticidade cognitiva é o módulo cortical. Módulos corticais são colunas verticais de células neuronais interconectadas. Por volta de diferentes áreas do córtex cerebral, essas colunas variam em número e diversidade de neurônios que elas contêm. Identificar como módulos corticais nos ajudam a aprender habilidades cognitivas podem ajudar a explicar por que variações nessa capacidade ocorrem, isto é, por que as pessoas aprendem habilidades em diferentes velocidades e por que nossa habilidade de aprender muda com a idade.

Estudos examinando um número de diferentes espécies têm mostrado que em média, um córtex maior leva a uma maior capacidade intelectual. A fonte dessa correlação ainda é incerta, mas Mercado acredita que um córtex mais expansivo oferece mais espaço para distribuição maior e mais diversa de módulos corticais. Em outras palavras, quando se trata de potencial intelectual, não é o tamanho absoluto ou mesmo o relativo que importa, mas quantos módulos corticais existem. Estas funcionalidades de organização cortical e funcionais determinam quão efetivamente nosso cérebro distingue eventos. Essa desenvoltura em diferenciar eventos pode ser o que nos permite aprender habilidades cognitivas.

Uma implicação dessa proposta é que a experiência pode ser tão importante quanto a genética na determinação da capacidade intelectual. Especificamente, mudanças estruturais de módulos corticais gerado pelo desenvolvimento e experiências de aprendizado também podem contribuir para diferenças na inteligência individual. À medida que essas redes de neurônios se desenvolvem ao longo do tempo, sua diversidade aumenta, levando ao futuro aumento da plasticidade cognitiva.

Entender como módulos corticais funcionam pode levar a novas formas de aumentar a inteligência. No entanto, novas tecnologias para aumento da plasticidade cognitiva tem implicações éticas que vão muito além daquelas aplicadas ao teste de doping no setor de esportes.

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